Sandy canta Jazz

Por Guga Stroeter

Em 2005, a cantora Sandy foi convidada para fazer uma apresentação com repertório de clássicos do jazz. A revista Quem? Pediu um depoimento de Guga Stroeter a respeito desse evento, segue o texto enviado para editoria.

Penso o seguinte:

Uma vez conheci Sandy e Junior nos bastidores de uma tv. São adoráveis, educadíssimos e eu admiro a humildade deles como seres humanos; pois tratam bem a todos: porteiros, maquiadores, sem distinção. Isso é alma não é aparência.

Porém sou músico e cidadão e posso ver e pensar o significado da obra da dupla na cultura que me abastece: Sandy & Junior é lixo musical que ganhou evidência e sucesso comercial utilizando-se da unicamente da estratégia criminosa e corriqueira de pagar jabá para radio e tv.

Para vender o quê?

A alma infanto juvenil tornou-se um novo lucrativo mercado de sandálias, roupas, canecas, bonecas, cosméticos...tudo bem, assim evolui o mundo.

No entanto, para a felicidade da diversidade, esse esquema entrou em crise os mecanismos aparentam transformar-se rapidamente.

As gravadoras majors não foram capazes de subsistir pois, não sabem vender música. São idiotas, só sabem comprar espaços no Gugu e se nutrir da carência de um país analfabeto que consome monstruosidades para gerar demanda reprimida.

No mundo livre cada um faz o que quer: vire roqueiro, vire jazzista, mas não, não me solicitem para embarcar em desesperos mercadológicos alheios.

A virgem cresceu, problema dela. Não emplaca mais como criança fofinha, seus empresários necessitam criar uma nova imagem.

Ela pode continuar no foco da grande mídia, mas pra quem nutre-se de jazz, infelizmente uma vez mais, essa investida é uma nova forma poluente de lixo. Essa é mais uma tentativa de distorção estrutural, um apoderamento da superficialidade para gerar lucro. Dessa vez, a essência histórica e estética do jazz é desprezada, para se privilegiar o elogio do estereótipo.

Este tipo de apropriação não divulga o jazz.

Há uma lamentável falácia que identifica o jazz com uma falsa sofisticação burguesa, sempre regada a uísque escocês muito caro. Esse equívoco é abjeto.

O espírito do jazz é rebelde, libertário e carrega dramas sociais, históricos na sua concepção de improvisação. É uma linguagem cheia de especificidades.

Não tem nada a ver com esquemas de segurança de pop stars, com uma entourage de chefes de estado.

Preservem-se.

O mundo precisa de compreensão, mas a fila tem que andar.

Que todos sejam felizes, mas para que isso não seja uma enganação, é necessário que se busque a verdade de cada expressão. Isso exige vivência.

Existem coisas que não se pode comprar assim, barato.

Coisas que residem longe das lentes dos paparazzi.

Sorry.

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